O advogado tributarista Carlos Pinto, diretor do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), foi ouvido pela revista VEJA em matéria que analisa os impactos do possível fim do chamado “tarifaço” imposto pelos Estados Unidos durante o governo Donald Trump.
Segundo a reportagem, a suspensão das tarifas adicionais pode representar uma janela relevante de oportunidade para o Brasil, com potencial de ampliar as exportações brasileiras para o mercado norte-americano em até US$ 2 bilhões por ano.
As tarifas impostas anteriormente pelo governo norte-americano elevaram significativamente os custos de exportação de diversos produtos brasileiros. Em alguns setores, a sobretaxa chegou a comprometer a competitividade nacional frente a outros países.
Com a recente decisão judicial nos Estados Unidos questionando a legalidade de parte dessas tarifas, abre-se espaço para reequilíbrio das condições comerciais. Para o Brasil, isso pode significar:
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recuperação de competitividade em setores industriais;
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retomada de contratos e volumes exportados;
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maior previsibilidade nas relações comerciais bilaterais.
Contudo, o cenário ainda exige cautela.
Na avaliação de Carlos Pinto, o impacto positivo não será automático nem uniforme entre os setores.
“A retirada das tarifas pode gerar um efeito relevante nas exportações brasileiras, mas os ganhos dependem de fatores como capacidade produtiva, organização da cadeia logística e estabilidade regulatória. Não é apenas uma questão de tarifa, é uma questão de estratégia comercial.”
Ele ressalta que empresas exportadoras precisam analisar com profundidade seus contratos internacionais, margens operacionais e capacidade de resposta ao novo cenário competitivo.
Setores que podem ser mais beneficiados
A reportagem destaca que segmentos como indústria de transformação, produtos manufaturados e setores com maior valor agregado tendem a sentir os efeitos mais rapidamente.
Isso porque esses segmentos foram diretamente impactados pelas tarifas adicionais e possuem maior elasticidade de mercado quando barreiras comerciais são reduzidas.
Ainda assim, a possibilidade de novas medidas comerciais por parte dos Estados Unidos mantém o ambiente sob monitoramento constante.
Para Carlos Pinto, decisões de política comercial internacional impactam diretamente a estrutura tributária, cambial e estratégica das empresas brasileiras.
“Empresas que atuam no comércio exterior não podem reagir apenas quando a regra muda. Elas precisam estruturar planejamento tributário e contratual que suporte cenários de instabilidade internacional.”
A eventual ampliação de US$ 2 bilhões nas exportações brasileiras representa uma oportunidade macroeconômica relevante, mas exige preparação técnica e estratégica por parte do setor produtivo.
Fonte: Revista VEJA – Economia

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